Narrar episódios não é tão primordial assim. Quero narrar sentimentos, sensações e sentidos aflorados em cada segundo vivido e compartilhado nesse espetáculo de cor, luz e movimento que é, para mim, restaurador. Atualmente, estamos tão afastados do natural, da própria natureza em si que vivenciá-la, ou simplesmente, ouvi-la nos causa um tipo de estranhamento, talvez alertando para um retorno, ou ainda, um "perceber-se como membro efetivo" desta. Isso sim é restaurador.
Na Revoada, cada pássaro, cada qual manifestante de sua espécie, convida a alçar o livre voo, alicerçado numa polifonia que quando somada se mostra una, se mostra como voz da natureza que chama, convoca através de seus elementos. O vento para o voo e para o movimento tranquilo e não planejado; a água para o batismo e retorno, a fluidez; o fogo para a força e luz; o toque para o afeto e liberdade.
Cantar, ser um. Parar o acelerado mundo fantasiado por ideias, criado por nós, e nos deixar adormecer nos brandos véus da natureza que nos recebe com suas cantigas que a glorificam forte, intensa e Senhora. Grilhões que se quebram e permitem a liberdade, as gaiolas que se abrem e nos dão a oportunidade de ser novamente naturais, de sermos nós. Tambores, ritual, voo...
Certamente, o espetáculo Revoada é bem mais do que isso. E só o vivenciando para descobrir o impacto que ele pode lhe causar. Oportunidade? Ainda tem. Em cartaz nos dias 30 e 31 de Agosto às 18h, no TECESOL.
Fotos por Paulo Fuga e Diego Marcel




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