E, hoje, com muita satisfação, Conversarei com ele sobre o quanto está sendo importante o seu caminhar para novos horizontes imprevisíveis e o seu retorno às raízes que descrevem os significados das essências.
Com vocês,
o fotógrafo Paulo Fuga no Conversa com o Artista.
Confiram!

Quando você se descobriu artista? Não sei se a gente se descobre artista, rs. Acho que a gente vai se fazendo artista, construindo isso dentro de nós com as nossas amizades contatos profissionais, lugares onde andamos, coisas que lemos vemos, conversamos discutimos, até tudo isso estourar aqui dentro e começar a querer sair para fora, entende? Acho que a arte ela começa quando muita coisa já não cabe mais dentro de nós e começa a escorrer, e isso acontece ou muito cedo ou muito tarde, comigo começou no ensino fundamental.
O que a fotografia representa para você como meio artístico? Para mim a fotografia começa como uma experimentação, como válvula de escape, depois, com o tempo, ela foi virando meio de vida mesmo, minha fonte de renda e minha forma de ver o mundo, eu penso em tudo como foto, enquadramentos, instantes, sensações e, agora, ela começa a fluir naturalmente em mim, no meio dia-a-dia.
Como se dá a ligação entre o sentimento e a imagem? Sentimento e imagem? A forma como nos expressamos precisa primeiro de ter intenção. Então se eu sinto algo, se aquilo me afeta de certa forma, e eu tenho necessidade de colocar para fora eu vou tentar transformar aquela sensação e sentimento em imagem, mas sempre com alguma intenção. Se você quer que uma foto tenha significado você precisa colocá-lo lá, e para mim as minhas fotos além de intenção precisam de sensações e sentimentos para existirem, pelos menos as que faço com teor artístico e não apenas de registro, mesmo estas precisam ter alguma intenção, nem que seja apenas o registro. A ligação dessas duas coisas acontece dentro da gente, o que nos provoca tanto ao ponto de termos que fotografar e mostrar aos outros.
Em 2015, quais foram os seus trabalhos mais significativos? 2015 foi um ano incrível de minha vida, por causa da fotografia eu consegui viajar um pouquinho pelo país. Fotografando O Bizarro Sonho de Steven, do grupo de teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias, eu conheci lugares e pessoas incríveis, isso foi foda, poder fotografar um espetáculo da cidade em uma circulação pelo nordeste e sudeste foi show. Outro trabalho que mexeu, e ainda mexe, muito comigo foi a exposição itinerante que eu montei em Salvador com A Outra Companhia de Teatro, chamada "de quando conheci você", por poder conhecer outros corpos, outros lugares, ver a reação das pessoas ao verem fotos de gays pelados na rua, foi incrível. E finalizar o ano com a minha primeira exposição em galeria de arte, em Natal foi um sonho. A exposição "flores do mais - a poética do corpo no feminino", que começou como o meu Trabalho de Conclusão de Curso, é o meu xodó, por ter passeado por mais de um ano em outros corpos, outras vidas, ter conhecido tanto o sentimento do outro. Nela eu falo um pouco sobre o universo do feminino e da fotografia de nu.
Existe algum trabalho, em especial, que representa o seu "eu artístico"?Atualmente, o trabalho que mais me representa por tempo de aprofundamento e pesquisa é o flores do mais.
A fotografia no Brasil vem ganhando um espaço muito importante, principalmente, porque os bons equipamentos se tornaram mais acessíveis. O que diferencia um fotógrafo-artista de um fotógrafo-noticiário? Amigo, a câmera é idiota. Por mais que seus fabricantes a tornem inteligente, a câmera nasce com a capacidade de transliterar, mas não traduzir ou interpretar. A fotografia é e sempre será uma ferramenta de grande importância para a humanidade, desde seu invento. Mas a gente não pode esquecer que quem faz a foto é o homem. Temos muito mais acesso à imagens na atualidade pelo avanço tecnológico da comunicação, a internet facilita a proliferação de imagens de uma forma absurda. Muita gente tem câmera no celular, um aparelho que você carrega no bolso, e isso transforma a nossa produção imagética de uma forma inimaginável. Fotografia de arte é algo que não tem a intenção apenas de informar ou registrar, mas de expressar algo que borbulha dentro do fotografo, que grita para sair, já o que você coloca como "fotografo-noticiário" é a informação por informação, o que pode ou não vir acompanhado de um olhar artístico.

Quais são as suas fontes de inspiração? Minha fonte de inspiração são as pessoas, como fotografo eu me inspiro muito em poesia e no trabalho fotográfico do Robert Mappletrhone.

Projetos para 2016? 2016 começa com um novo projeto, chamado Câmara Clara - Cartografia do Afeto, produzido pelo Flávio Rodriguez, meu namorido. É uma exposição itinerante, com fotos minhas e de mais dois fotógrafos (Vanessa Paulo e Pedro Medeiros) sobre a infância e as suas memórias no interior. Ela vai circular por 15 cidades do interior do Estado, junto com oficinas de fotografia e intervenções urbanas, além da produção de um documentário e uma exposição maior em Natal. Isso vai consumir metade do meu ano, além dos projetos aleatórios, mas menores. Em novembro tem mais uma exposição de nu, falo - de quando o corpo é mais que um pedaço, voltada para o corpo masculino, ainda não sei onde vai ser, rs.
Contatos
Meus contatos são: 84 996 510 156 (cel e whatsapp), Paulo Fuga Fotografia (Fan Page do Facebook) e fugacomunicacao@gmail.com (e-mail).
Para finalizar, quem é o fotógrafo Paulo Fuga de hoje? E quem é a pessoa Paulo Fuga de hoje? Paulo Fuga fotografo e pessoa são os mesmos, essa semana eu estou mergulhado em lembranças e lugares para fazer os ensaios da exposição do Câmara Clara, então tá tudo no mesmo bolo de memórias e saudades e muitas descobertas. Tá sendo incrível e doloroso ao mesmo tempo. Uma pessoa que atrás da fotografia tem se tornado algo melhor, é isso que eu sou hoje.
Paulo, obrigado. Desejo a você muitas portas abertas.




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